Brasileiro no Canadá: como garantir duas aposentadorias com estratégia

Aposentadoria para brasileiros no Canadá: como planejar benefícios no Brasil e no Canadá

A aposentadoria para brasileiros no Canadá exige atenção aos dois sistemas previdenciários. Você pode ter saído do Brasil, mas o tempo contribuído ao INSS não desapareceu.

Ao mesmo tempo, morar e trabalhar no Canadá pode gerar direitos no Canada Pension Plan, o CPP, e no Old Age Security, o OAS. Por isso, quem organiza a vida fora também precisa organizar a renda futura.

Em muitos casos, pode ser possível receber benefícios do Brasil e do Canadá. No entanto, isso não acontece de forma automática. O resultado depende do histórico de contribuições, do tempo de residência, das regras de cada país e da estratégia adotada.

Por isso, a aposentadoria para brasileiros no Canadá precisa ser analisada de forma individual.

O erro de abandonar o INSS ou continuar pagando sem análise

Quando o brasileiro muda para o Canadá, normalmente toma uma de duas decisões.

A primeira é parar de contribuir para o INSS. O raciocínio parece simples: “agora eu trabalho no Canadá e contribuo para o CPP”.

Porém, quem já contribuiu por 10, 15 ou 20 anos no Brasil pode ter construído um histórico importante. Esse tempo continua registrado. Mesmo assim, pode não ser suficiente para cumprir os requisitos de uma aposentadoria brasileira de forma independente.

A segunda decisão é continuar pagando o INSS todos os meses, sem saber se isso ainda faz sentido.

Algumas pessoas já têm tempo suficiente. Outras pagam em uma categoria ou sobre um valor que não conversa com o benefício esperado.

Portanto, os dois erros nascem do mesmo ponto: falta de análise.

Sem conferir o CNIS, os períodos no Canadá e as regras aplicáveis, qualquer decisão vira um chute. Quando o assunto é aposentadoria, esse chute pode afetar muitos anos de renda.

Como funciona o acordo previdenciário entre Brasil e Canadá

O Acordo de Previdência Social entre Brasil e Canadá entrou em vigor em 1º de agosto de 2014. Ele foi promulgado no Brasil pelo Decreto nº 8.288/2014.

O acordo ajuda a proteger quem trabalhou ou residiu nos dois países. Além disso, ele pode permitir a totalização de períodos.

Totalizar significa considerar períodos cumpridos no Brasil e no Canadá para verificar se a pessoa alcança o requisito mínimo de determinado benefício.

Imagine alguém que contribuiu durante uma parte da vida no Brasil e outra parte no Canadá.

Dependendo do caso, o acordo pode ajudar essa pessoa a cumprir um requisito que não alcançaria usando apenas um dos períodos.

Entretanto, a totalização não transforma todo o tempo em uma única aposentadoria. Cada país analisa o pedido conforme sua própria legislação e calcula o benefício de acordo com as regras aplicáveis.

O acordo também pode evitar a dupla contribuição em situações específicas, como o deslocamento temporário de trabalhadores.

Isso não significa que todo brasileiro empregado no Canadá fica automaticamente dispensado de qualquer análise no Brasil.

Como funcionam CPP e OAS no Canadá

Para entender a aposentadoria para brasileiros no Canadá, também é preciso separar CPP e OAS.

O CPP é baseado nas contribuições feitas durante o trabalho no Canadá, fora de Quebec.

A idade padrão para iniciar o benefício é 65 anos. Porém, a pessoa pode começar aos 60, com redução, ou adiar até os 70, com aumento.

O valor depende de fatores como contribuições, tempo contributivo e idade escolhida para iniciar o benefício.

Já o OAS está ligado principalmente ao tempo de residência no Canadá depois dos 18 anos.

Em regra, quem vive no Canadá precisa de pelo menos 10 anos de residência para receber uma pensão parcial.

Quem solicita o benefício morando fora normalmente precisa de 20 anos. No entanto, o acordo internacional pode influenciar a análise da elegibilidade.

O valor parcial considera o número de anos de residência no Canadá em relação a 40 anos. Portanto, quem chegou ao país mais tarde pode não alcançar o valor máximo do OAS.

Por isso, o planejamento não deve olhar apenas para um benefício.

É preciso avaliar INSS, CPP, OAS e outras fontes de renda para a aposentadoria.

O melhor cenário é sempre receber duas aposentadorias integrais?

Nem sempre.

O cenário mais vantajoso depende do histórico de cada pessoa.

Em alguns casos, pode ser interessante cumprir os requisitos brasileiros sem depender da totalização. Assim, o benefício do Brasil será calculado conforme as regras brasileiras e o benefício canadense seguirá as regras do Canadá.

Porém, isso não significa receber automaticamente valores máximos ou integrais nos dois países.

O CPP depende das contribuições realizadas. O OAS depende do tempo de residência e de outros critérios. Já o benefício brasileiro depende do histórico no INSS e da regra aplicada.

Assim, a aposentadoria para brasileiros no Canadá deve ser analisada com projeções reais, não com promessas genéricas.

Quando pode valer a pena continuar contribuindo para o INSS

Continuar contribuindo pode fazer sentido quando ainda falta tempo para cumprir uma regra no Brasil.

Também pode ser útil quando novas contribuições melhoram um cenário previdenciário específico.

Além disso, dependendo do caso, a contribuição pode manter proteção previdenciária para situações além da aposentadoria.

Por outro lado, continuar pagando pode não trazer o retorno esperado quando a pessoa já cumpriu os requisitos necessários ou escolheu uma contribuição inadequada para seu objetivo.

Por isso, não basta perguntar:

“Vale a pena pagar INSS morando no Canadá?”

As perguntas corretas são:

  • Quanto tempo aparece no meu CNIS?
  • Existem vínculos, salários ou contribuições com erro?
  • Quanto falta para uma regra brasileira?
  • Preciso usar a totalização?
  • Qual contribuição faz sentido para o resultado esperado?
  • Como CPP e OAS entram na minha renda futura?
  • Pretendo me aposentar vivendo no Canadá ou em outro país?

A resposta depende da combinação desses fatores.

Aposentadoria para brasileiros no Canadá: o que precisa ser analisado

O planejamento previdenciário organiza os dois lados da aposentadoria.

Primeiro, ele analisa o histórico no Brasil. Isso inclui CNIS, vínculos, salários, categorias de contribuição e possíveis regras de aposentadoria.

Depois, considera o histórico canadense.

Entram nessa análise as contribuições ao CPP, o tempo de residência para o OAS e a possibilidade de uso do acordo internacional.

Com essas informações, é possível comparar cenários.

Em alguns casos, a estratégia pode ser continuar contribuindo para o INSS. Em outros, pode ser necessário ajustar a categoria ou o valor.

Também existem situações em que parar de contribuir pode fazer sentido, desde que a decisão seja segura e planejada.

O objetivo não é pagar mais.

É entender onde cada pagamento pode levar.

Assista ao vídeo completo

No vídeo abaixo, explicamos como o acordo entre Brasil e Canadá pode influenciar sua aposentadoria. Também mostramos quais cuidados tomar antes de continuar ou interromper contribuições.

Não deixe a aposentadoria para depois

A aposentadoria para brasileiros no Canadá envolve dois sistemas, documentos diferentes e decisões que podem produzir efeitos por décadas.

Sem planejamento, a pessoa pode contribuir por anos sem necessidade.

Também pode depender da totalização sem conhecer o impacto no cálculo ou descobrir erros apenas no momento do pedido.

Com planejamento, ela consegue visualizar os caminhos, corrigir informações e tomar decisões com mais segurança.

Você não investe sem olhar os números. A aposentadoria deve seguir a mesma lógica.

Se você mora no Canadá e quer entender como seu histórico no Brasil pode se combinar com CPP e OAS, fale com uma advogada especialista da Sperinde Advogados.

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